quinta-feira, 8 de junho de 2017

Pés de barro




Os “cabouqueiros” do regime autonómico foram enganados, repetiu-se assim, a sinistra sina do Povo Açoriano. Ao longo da sua história os Açores nunca conseguiram obter de Lisboa, qualquer vantagem política, foram sempre sujeitos a um regime de submissão. A submissão é uma das características mais salientes da subserviência. A população dos Açores foi estruturada a partir da ideia de fazer dos Açores uma colónia.

Foi como colónia, que os Açores foram sempre tratados, o objetivo do colonizador foi de tirar o máximo proveito. Estabeleceu-se que os colonos (pessoa que emigra para povoar e/ou explorar uma terra distante) deveriam pagar uma renda pelo uso da terra. Este pagamento continua válido nos dias de hoje, a forma é, que é diferente.

O regime da sujeição deixou marcas no Povo Açoriano, que são difíceis de remover, daí a dificuldade que existe, em libertar-se do passado tenebroso.

O desejo de afirmação do Povo Açoriano, através de maior liberdade de ação, foi sempre torpedeado pelo poder colonial, as tentativas que fez, foram, sempre, neutralizadas.

A revolução de 1974, foi a grande oportunidade da sua vida, para se libertar do regime da submissão. O Povo gritou independência, que as elites políticas açorianas haveriam de suster, com base na promessa de concessão de um regime autonómico.

O regime autonómico foi criado, o Povo Açoriano acreditou nele, sem reservas, baseados na ideia de que a interferência de Lisboa deixavam de existir. Cedo, se percebeu que não era assim, o regime autonómico era controlado/vigiado por Ministros da República, com base no argumento da afirmação da soberania. As vicissitudes por que os Açores têm passado são conhecidas, não vale a pena enumerá-las, basta que se tenha a ideia de que, o regime autonómico não serve os interesses dos Açores, porque tem pés de barro.

O regime autonómico foi criado, propositadamente, com pés de barro, porque havia a necessidade de acautelar os interesses da “metrópole”. A “metrópole”, historicamente falando, nunca deu nada às suas colónias, limitou-se a tirar o máximo de proveitos, era esse o seu maior objetivo.

Foi com o intuito de jogar pelo seguro, que a “metrópole” definiu, constitucionalmente o Estado como unitário. O regime autonómico, nestas circunstâncias, não tem qualquer importância, está assente em pés de barro.

A irrelevância do regime autonómico tem sido, habilmente, camuflada, com a ideia de que está na origem do surto de crescimento e desenvolvimento económico dos Açores. É errada esta ideia, basta perguntar, donde veio o dinheiro, foi resultado da criação de riqueza? Não foi, foi dinheiro que chegou aos Açores, em envelopes provenientes da União Europeia. Teria sido um resultado excelente, se o crescimento e desenvolvimento dos Açores estivesse ligado à criação de riqueza. A única vantagem conseguida, resulta do fato de ter sido o poder executivo dos Açores, quem fez as escolhas de investimento.

Os apoios financeiros da União Europeia não estão a ser devidamente valorizados, tem-se procurado fazer crer, que são resultado da influência do regime autonómico. Uma habilidade política.

O regime autonómico já deu provas do que vale, não vale nada, a preocupação em escondê-lo tem sido muito grande, porque não se sabe, como explicar ao Povo Açoriano a atitude passada e recente dos políticos eleitos. Esta dificuldade, tem originado uma fuga para a frente, baseada na melhoria das condições de vida dos açorianos. Tudo o que tem pés de barro acaba, mais cedo ou mais tarde, por revelar as suas fragilidades.

O tempo tem um efeito demolidor para tudo aquilo, que tem pés de barro.




Adelino Mota Oliveira